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#BOX DE SÉRIES# - "Sharp Objects" | "Objetos Cortantes" (2018)

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Published: 03 May 2019 › Updated: 03 May 2019#BOX DE SÉRIES# - "Sharp Objects" | "Objetos Cortantes" (2018)

#BOX DE SÉRIES# - "Sharp Objects" | "Objetos Cortantes" (2018)

365 Cores do Universo

Reconciliação com o passado. Auto-aceitação. Conflitos psicológicos. Vícios destrutivos. Esses são apenas alguns dos temas que estão presentes nesta poderosa série dramática... Uma das mais recentes e mais ousadas investidas da HBO, que mais uma vez entrega um material de primeira qualidade (como já é "tradição" do canal).

A série gira em torno de Camille Preaker, uma repórter que está buscando redenção em sua vida após sérios episódios de autolesão (que a fizeram ter passagens por um hospital psiquiátrico. Sofrendo também com alcoolismo, o caminho que ela escolhe seguir afim de encontrar uma saída é mergulhar em seu trabalho. Logo, para isso, ela decide então voltar a sua cidade natal (Wind Gap) e tentar solucionar o mistério que ronda o desaparecimento de duas garotas.

Deep South Magazine

No entanto, essa volta ao passado acaba sendo uma visita meio tortuosa. Em meio ao desencadeamento de lembranças amargas (traumas de infância e adolescência), ela ainda precisa saber como lidar com uma presença indesejada: o reencontro com a própria mãe (alguém com quem ela mantinha uma relação afetiva complicada).

O roteiro segue uma narrativa construtiva extremamente interessante (porque além do mistério central, há uma ramificação de problemas paralelos). Apresentando não apenas a sua história (por sinal, é cheia de nuances), mas também seus personagens, de forma integrativa... A trama segue por caminhos incomuns para se construir de maneira bem orgânica, algo bem próximo do que representa a naturalidade da vida real com quem tem (ou já teve) problemas semelhantes (ou iguais) aos da protagonista.

Indiewire

Há um cuidado para que o excesso de detalhes acerca das informações que constroem à trama não infle a história de uma maneira incômoda para o telespectador (que acaba mastigando-a sem maiores percalços ao longo do seu desenvolvimento). Por mais simples que sejam algumas das pistas acerca do paradeiro das garotas, nada deve ser descartado... Basicamente, porque tudo que é mostrado nos episódios é de fundamental importância para a resolução do mistério.

No entanto, a série só utiliza esse artifício (e o usa muito bem!) como plano de fundo para centrar a história porque a narrativa trata mesmo é da coragem e também da força de vontade que estão presentes na essência de um ser humano que encontra-se quebrado e que por estar momentaneamente perdido e confuso, não sabe como pedir ajuda de maneira clara.

HBO

Amy Adams entrega aqui uma de suas melhores interpretações (um trabalho nada menos do que fenomenal!) e também lidera um elenco muito competente (com outros nomes de destaque como Patricia Clarkson) que se complementa nas cenas que compartilham juntos. O aprofundamento de seus personagens é notório e muito bem construído, fazendo com que a história ganhe contornos ainda mais realistas.

O diretor responsável por amarrar isso tudo e conduzir os eventos de forma magnífica é o excelente Jean-Marc Vallée (também diretor de outro sucesso da HBO, Big Little Lies). O olhar intenso que ele tem para correlacionar os fatos e fazer toda a coisa acontecer é bem apurado e refinado. Além disso, a segurança que ele tem para fincar os elementos dramáticos na mente do telespectador é algo invejável para qualquer diretor (tamanha é a qualidade do trabalho dele).

Tecnicamente, a série também é muito boa e uma estética física bem envolvente. A fotografia tem elementos bem obscuros (algo que enriquece os arcos narrativos da história de uma forma visualmente atrativa), a edição de cenas é bem pensada (e sempre que pode, tenta fugir do óbvio) e a trilha sonora é bem caprichada (principalmente porque ela tem uma conexão direta com cada um dos oito episódios que compõe o todo) e aplicada em momentos estratégicos.

The Disorderly

Baseada em um dos romances da escritora Gillian Flynn (a mesma do excelente Garota Exemplar), o material televisivo personificado em Objetos Cortantes é bem dinâmico (em alguns momentos sendo até flertando com o surrealismo), consistentemente firme em sua proposta e cheio de momentos tensos que automaticamente criam amplos espaços referentes a discussões acerca de uma gama de assuntos envolvendo diretamente a moral e a ética.

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